Como nascemos

Em 2018 nasce o Noori, em São Paulo, Brasil.

 

 

Estar reunido em volta do fogo é um dos hábitos socioculturais mais antigos que preservamos. Seu controle, que originou o desenvolvimento da culinária, se configurou como uma das grandes transformações da história humana. Na tradicional residência caipira, o fogão a lenha sempre esteve em evidência: era em torno dele que se construía o resto da casa. Nos dias de hoje, a cozinha ganha evidência em projetos arquitetônicos e volta a ser um espaço de convívio social, mas, muitas vezes, as restrições de espaço e estrutura impedem o resgate do antigo costume de acender o fogo e ali permanecer cozinhando e conversando, ao ar livre. 

MEU FOGO

MINHA LUZ

O Noori, que significa “meu fogo, minha luz” e é o nome dado a recém-nascidos em árabe e em hindu, foi concebido depois de uma imersão de três amigos Eduardo Gayotto (Designer), Pedro Heldt (Arquiteto) e Plinio Ruschi (Engenheiro Ambiental) na permacultura, que é uma síntese do conhecimento tradicional e da ciência moderna, com integração do design e da ecologia. Trouxeram dela o Rocket Stove, tecnologia que foi catalogada a partir da observação do comportamento de diversas culturas do globo terrestre para queimar lenha e preparar alimentos, obtendo o melhor aproveitamento possível do combustível, a partir de uma estrutura em “L”. Esta sempre correspondia a uma proporção específica (1:2:3), responsável pela maximização energética, ou seja, produzia mais calor com a menor quantidade de lenha possível. 

“Revisitamos o fogão a lenha por meio do design, com a preocupação de dar mais de uma função a um mesmo objeto e ainda cumprir o papel de agregador de pessoas”, explica Plínio Ruschi. “Como se você conseguisse pausar o tempo e trazer a natureza para mais perto”, completa.

 

Partindo desta proporção e com um problema a ser resolvido - como desenhar um Rocket Stove que agregue uma churrasqueira, um forno e um aquecedor - começaram os rabiscos. 

 

Desenhos, protótipos, busca de fornecedores parceiros, pesquisas, mais desenhos, e mais deafios: além da junção de suas funções era preciso criar uma forma em que o concreto refratário resistisse não somente o calor, que pode atingir cerca de 400 graus celsius, mas também ao movimento, evitando rachaduras, já que a idéia era também a de um equipamento móvel.

A primeira etapa foi o desenvolvimento do corpo refratário. Foram feitos diversos estudos com diferentes receitas ao longo de um ano inteiro de testes. 


“O objetivo foi desenhar um produto onde fosse possível preparar um ragu, um feijão, uma massa, uma pizza, e também legumes e carnes grelhadas. Queríamos romper com as limitações de uma churrasqueira padrão”, revela Duda Gayotto. 

 

Com referências que vão desde a escola paulista de arquitetura, o design de mobiliario escandinavo e oriental e ao Archigram, grupo de arquitetos ingleses da década de 1960, a criação de sua forma foi intuitiva - rocket, significa foguete em inglês. O passo seguinte seria a busca por materiais e fornecedores.

 

O equipamento também foi projetado em função da durabilidade.

 

“Se o usuário/cozinheiro tomar os cuidados que está no manual, dura a vida toda. Já temos alguns acessórios e componentes para lançar daqui alguns meses, que vão dialogar com outras culinárias. Queremos sempre trazer novidades para serem agregadas ao mesmo equipamento”, adianta o arquiteto Pedro Heldt. 

 

A cada protótipo que ficava pronto era a hora também das pesquisas de campo e testes, que trazia aos três, cada vez mais a certeza do caminho que estavam traçando. 

 

Se reunir com diversos amigos em volta do fogo, conversando, co-criando e claro, testando diversos modos de preparo de alimentos. Cada pessoa, ao compartilhar algum momento marcante de sua vida ao redor do fogo, seja no campo ou na praia, acampando, no churrasco com amigos, ou no conforto de um ambiente fechado, contribuem com o processo. Aquela hora onde o fogo e a fumaça pareciam parar o tempo e a correria da vida urbana em uma metrópole como São Paulo. 

 

Talvez essa distorção do tempo fez com que o Noori nascesse no seu ritmo ideal de gestação, e após mais de um ano e meio de trabalho, chegam a solução do problema. 

 

A melhor parte é que o produto nunca estará 100% completo, porque sempre que é aceso, e reúne pessoas a sua volta, surgem novas idéias.

 

*O Noori foi construído com a ajuda de muitos amigos, e outras pessoas, que hoje também chamamos de amigos.